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Na última semana, o mundo literário marcou os 100 anos do falecimento de Kate Chopin (1850–1904). Em 1899, ao publicar o romance O Despertar, Chopin não apenas chocou a sociedade vitoriana ao retratar uma mulher que recusava os papéis de mãe e esposa devotada para buscar sua própria identidade; ela antecipou a própria arquitetura do ensaio moderno sobre a liberdade feminina.

O livro foi banido de bibliotecas, e a autora, marginalizada pela crítica da época, morreu poucos anos depois sem ver seu reconhecimento. Hoje, a obra de Chopin não permanece viva por ter sido polêmica, mas por nos lembrar de que a escrita autêntica exige encarar o desconforto de existir fora das expectativas alheias.

O Despertar
Edna Pontellier passa as férias com a família nos chalés de praia alugados dos Lebrun, perto de Nova Orleans, onde moram. Os dias escorrem entre chás na varanda, agradáveis caminhadas na praia acompanhada de outros hóspedes, um olhar desatento para as crianças que são seguidas pelas criadas. Às noites, seu marido Léonce Pontellier vai no clube encontrar outros maridos para jogar cartas.
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